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- Pandemia: Valor Comunitário e as Pílulas da Felicidade na era COVID-19
Talvez amadurecemos com o passar dos (d)anos. Aderir ao isolamento no início era uma forma de respeito as pessoas que estão no grupo de risco e dever enquanto cidadãos morais e éticos. Pensar coletivo naquela situação em que nos deparamos foi essencial. O período de quarentena desencadeou um estado significativo de estresse. Aos caseiros e introspectivos talvez aquele momento de isolamento não era um desafio tão difícil. De repente, por força maior tivemos que nos adaptar a situação de pandemia: adiamos nossos planos, ficamos confinados, sem rotina, reduzimos as atividades bruscamente. Diante do desconhecido (vírus) surgiram angustias, sentimento de incerteza, de solidão e tédio. Recebemos orientações para agir dentro das medidas cabíveis de higiene e prevenção. Alguns entraram em desespero, porque não sabíamos o que estava por vir. Que sejamos conscientes, talvez essa crise vem acompanhada de uma oportunidade de revolução. Frente essa pandemia podemos repensar nossos modelos econômicos. Quantos microempreendedores foram prejudicados na quarentena? Quantos subempregos ficaram desassegurados durante essa crise? Retomamos ao lar de maneira forçada, tiramos o pé do acelerador e tentamos nos reinventar: ler livros, assistir filmes e séries que estavam acumulados, carinho nos bichinhos etc. O senso comunitário era uma das propostas no inicio da pandemia, então, chegamos a um ano de crise e confusão marcado pelo coronavírus (Covid-19). Uma crise na saúde, na economia, sobretudo, uma crise humanitária. Para grande parte das pessoas o isolamento não está sendo nada cômodo. As consequências psicológicas em função da Covid-19 são diversas. Muitas pessoas que antes não eram ansiosas, agora estão sofrendo com ansiedade. Há pessoas cujos efeitos da quarentena intensificou as fragilidades que já estavam presentes antes. Além disso, o sentimento de confusão, reações agressivas ou irritadas e desorientação estão sendo comuns. A atualidade moderna da medicalização nos coloca em um beco sem saída quando pensamos na existência humana, o corpo biológico não é o único a se manifestar, agora, o corpo psíquico denuncia o inconsciente, trazendo sintomas psicossomáticos (processo de subjetivação que acessa a sua realização na via corporal). De alguma forma enraizou-se que para toda doença (teoricamente) teria assim um remédio, de modo a silenciar. Durante a pandemia e as ofertas das pílulas da felicidade na era covid se intensificou, então, age-se de forma inconsequente em relação as próprias emoções, visto que a causa de todos os afetos tem que ser sentidos, e nunca “curados”. Em outras palavras, é quando se acredita em uma alegria plena acabamos nos esbarrando em propagandas do qual o viver as vezes aparenta difícil e para facilitar, cabe então as pílulas. Viver não é sinônimo de juras de felicidade, mas sim se responsabilizar-se por articular, elaborar e identificar o próprio mal-estar. Na era Covid-19, há um imenso desejo por um remédio para a prevenção ou a cura da doença do corona e de suas consequências emocionais, no entanto, não existe remédio para O VIVER, sendo assim, é de grande urgência desconstruir que todo problema se caracteriza como enfermidade. A tranquilidade e o silêncio causado por pílulas podem ser mais perturbadores do que a própria passagem pela tempestade. Psicóloga Renata Gonçalves – CRP 06/122453
- Dragão Vermelho: Um caso de Psicose e Paranoia
Este artigo trás suposições e hipóteses sobre Francis Dolarhyde, a intenção não é diagnosticá-lo, para isso, é preciso escutá-lo na íntegra. A intenção é buscar as raízes de como isso se construiu. Trago alguns termos e conceitos (fácil leitura e entendimento) para pensarmos que por trás dessa obscuridade existe sofrimento. A análise psicológica está totalmente focada em Dolarhyde (Dragão vermelho). Dragão Vermelho (Red Dragon) é um filme lançado em 2002, baseado no livro de mesmo nome de Thomas Harris. Faz parte da série de filmes sobre o canibal Dr. Hannibal Lecter. Will Graham é ex-agente do FBI que por pouco não foi morto por Lecter ao tentar capturá-lo. Graham recorre à ajuda de Lecter, que está preso, para capturar o assassino em série Francis Dolarhyde. O único problema é que Lecter auxilia o policial na investigação, mas também repassa ao assassino informações sobre a família do mesmo. Dolarhyde conhecido pelo apelido o “Fada dos dentes” é a figura principal da trama, um rapaz inseguro, tímido, mora sozinho e mostra problemas de autoimagem tanto por causa de sua aparência (cicatriz na boca), quanto pelo tratamento que recebia de sua avó. Se intitulava como Dragão Vermelho, cometia crimes em busca de reconhecimento e admiração. Trabalhava numa produtora de filmes onde escolhia suas vítimas ao assistir fitas de vídeo de famílias em momentos felizes. Estudava os vídeos para decidir a melhor forma de cometer os homicídios. Seus crimes tinham as seguintes características: após matar as vítimas retirava os olhos e os substituíam por pedaços de espelho quebrado. A mulher era atacada e tinha seu corpo marcado por mordidas. Ele era bastante criterioso na escolha das vítimas, as mortes aconteciam de forma organizada e planejada. O Dragão Vermelho seria um caso de psicose e paranoia? É possível pensarmos que a psicose pode ser identificada na primeira fase do desenvolvimento, na qual pode ter acontecido privações significativas ao sujeito. Esta fase corresponde ao distanciamento entre o bebê e sua mãe. A partir da alternância da ausência e presença dessa mãe é que essa noção de separação vai sendo assimilada pelo bebê. Na psicose, essa mãe, que também teve dificuldades na passagem pelo Édipo, passa a dificultar essa separação, vê este bebê tapar a sua falta, negando assim a sua castração. Essa relação simbiótica mantém-se, por tanto, esta mãe, “psicotizante”, não investe narcisicamente no seu bebê, especialmente, para a psicanálise, o sujeito nasce daí, do desejo do Outro. O psicótico não nasce, ele permanece pueril. O que seria passar pelo Édipo? Freud enxerga essa mitologia dentro das fantasias infantis de crianças de 4 a 6 anos, a passagem seria abrir mão dessas práticas incestuosas (ter relação parcial com o corpo do outro, matar o pai, ficar com a mãe) e entrar nas normas da cultura, isto é, implica ser interditado o seu desejo (não pode tudo). Já o narcisismo é um acúmulo da libido no (eu), que impede o psicótico de algum elo com o mundo – desenvolvendo um delírio de grandeza. Lembramos que para Freud, o estado psicótico é uma defesa; é a expressão debilitada da tentativa desesperada que o (eu) faz para se resguardar, ou seja, um corpo estranho que aterroriza sua integridade. Escapar de uma ideia nada assimilável. O psicótico age de acordo com os seus impulsos, é aquele que ficou fixado na primeira etapa do desenvolvimento, em que o ego é ainda arcaico e fragmentado. Dado que o superego também não tenha se estruturado, pois para isso ele teria de passar pela lei paterna. Em relação ao ego, mesmo não estando completamente organizado, existe uma conservação das faculdades abstratas, em especial pela inteligência, qualidade presente no psicopata. Francis obviamente tem essa inteligência ligada a competência imaginativa e criativa. Seus crimes revelam a marca desse registro como a comunicação de um inconsciente a céu aberto. Claro, que sua maneira de expressar o inconsciente e de satisfazê-lo é muito primitiva. Na psicose a angústia é de fragmentação e as principais defesas são a projeção e foraclusão. A construção da imagem corporal e o sentimento de unicidade depende dessa mãe, e é por essa carência que o sofrimento do psicótico é de fragmentação. Deste modo, seu corpo não é uma unicidade, e sim pedaços sem definição. O fracasso da experiência de castração na psicose é correlativo a foraclusão do significante do Nome-do-Pai (mecanismo que rompe as amarras). Uma construção necessária teórica, mítica e que esclarece esse processo. Pois, na psicose o que é abolido na ordem simbólica no sentido da foraclusão (expulsar para fora de si), volta no real. Nesse sentido, a passagem ao ato toma uma função que não é apenas, no caso dos serial killers, a de assassinar, mas, de se fazer sujeito, é evidente que sujeito do inconsciente. De modo geral, o inconsciente é um seguimento de pensamentos, palavras e atos que nos escapam. De certo, o ser falante que somos, psicótico ou não, é um ser falado. Durante a investigação, Will (agente do FBI) encontra um símbolo na árvore da casa dos Jacobis feito pelo assassino e, com a ajuda do Dr. Lecter descobrem que esse símbolo asiático de um caractere chinês - marca o dragão vermelho. O dragão vermelho é uma produção artística que foi criado por Blake que foi contratado para criar diversas pinturas com o objetivo de ilustrar os livros da Bíblia entre 1805 e 1810. O significado e origem da pintura do dragão vermelho possuem grande importância tanto na produção da trama como na construção do protagonista. Dolarhyde coloca em pratica os dois crimes um mês depois de descobrir The Great Red Dragon and the Woman Clothed in Sun (O Grande Dragão Vermelho e a Mulher Vestida com o Sol), ele possui obsessão por essa arte, a ponto de ter a imagem tatuada nas costas, o que lhe trouxe a certeza de que poderia se transformar no dragão após assassinar suas vitimas. Apesar dos fatos apresentados no filme, a tatuagem tem para Dolarhyde um sentido muito peculiar. Ele marcou no seu corpo o dragão para tornar-se idêntico a ele, lembrando do detalhe de usar a dentadura da avó para morder as vitimas, um pedaço do que para ele representava seu ancestral. Em Lacan a linguagem é estruturante do inconsciente. Sendo que na psicose esse discurso vem sempre à tona como um imperativo, pois coloca Dolarhyde em contato com sua fragilidade e a tentativa de restituí-la. O discurso da avó toma o lugar de autoridade e ele de comandado. Ela aparenta se satisfazer quando gera esse mal-estar e, nega totalmente a possibilidade de seu neto dar conta do seu próprio prazer. Sabemos que o inconsciente é atemporal, visto por este ângulo, a fantasia que o assassino em série usa para cometer seus crimes é muito primitiva. Então, investigamos primeiro a infância dele, precisamente na relação com a avó. Conversa imaginária: Francis: Vovó, sinto muito. Avó: Oh! Francis eu nunca vi uma criança tão suja e nojenta, olha só para você, está ensopado, saia já da minha cama! Francis: Não! Avó: Volte para seu quarto! Francis: Vovó você está me machucando. Avó: Cala a boca seu animalzinho imundo! Devia ter posto você no orfanato, mesmo sendo meu neto. Francis: Não, não vovó! Avó: Para o banheiro! Tire seu pijama e se enxugue depressa... Agora me dá a tesoura da gaveta dos remédios. Francis: Não vovó, por favor!!! Avó: Pegue sua coisa suja com a mão e põe para fora. Francis: Não vovó. Avó: Você quer que eu corte ele fora? você quer? Você quer que eu corte ele fora? Dou minha palavra Francis se você molhar sua cama de novo eu corto ele fora, está entendendo? Francis: Eu vou me comportar, eu vou me comportar, eu juro. O protagonista tem lembranças auditivas de sua avó, pois ele rememora esse discurso que ficou inscrito no seu inconsciente como um traço de linguagem e, desencadeando uma paranoia. A conversa entre Francis e a avó revela que o menino sofria violência psicológica, de tal modo que sua masculinidade, foi assim, inserida de uma forma que não sobra dúvida para ele: ser homem seria muito árduo. A avó dava a entender que um homem não urina na roupa. Isso reflete na vida adulta de Dolarhyde que apresenta muita dificuldade na vida sexual e afetiva, a partir dessa experiência traumática e com essa sexualidade vista de um jeito anômalo. Importante ressaltar que a identidade sexual é construída na infância, o modo como se colocam as questões de controle dos esfíncteres e da higiene são fundamentais para tal construção. Lembrar que os cuidados maternos feito pela mãe no corpo da criança é extremamente importante para tornar esse corpo biológico em um corpo sexualizado. No caso de Dolarhyde, sem investimento de afeto, ficou com seu corpo-coisificado. Se buscarmos o olhar de Freud é possível comparar a enurese a uma sensação prazerosa, vinda da masturbação, que antecede a fase fálica (manipulação do órgão genital). É possível observar que a avó se refere ao órgão masculino como “coisa suja”, soa a ideia de que não poderia ter prazer sexual ao se masturbar, já que isso para ela parecia repugnante. Ainda nessa linha de raciocínio, outra questão muito corriqueira é o adulto dizer as crianças que urinam na cama ou se masturbam: “corto isso daí fora”. Assim, a criança se depara com a castração no real e, para ela não vai ter meio termo, o desfecho é violento: cortar fora acarreta em privá-lo da condição de portador do falo. O pequeno Francis na realidade, não teve seu pênis cortado, mas a avó aniquilou a possibilidade de ele desenvolver uma sexualidade genital, porque esta ficou foracluída. Durante o filme, não temos nada sobre como era essa construção familiar, a estrutura triangular edípica parece ser formada somente com sua avó, uma mulher que quer o falo, posto isto, o priva da figura paterna. Para o protagonista, a avó representava a lei, por isso, o feminino o assusta pois na realidade ele não vê sua avó uma mulher castrada, e sim uma mulher fálica, que tenta castrá-lo. Esta avó transmite uma lei cruel que o trata como coisa. Por isso, as mulheres o intimidam e ele as assassina com mais rigor. O garoto é colocado pela avó num lugar de objeto destituído de desejo, um animalzinho imundo, um dejeto, é possível que aqui esteja a chave para a formação de sua fantasia delirante. Essa fantasia vem dar conta de uma insatisfação na realidade, ou seja, na tentativa de reparar a perda da realidade, cria-se uma nova. Para Francis a realidade é ser um enfraquecido, um nada, portanto, procura uma identificação com uma figura que represente a força. Contudo, durante sua vida, o dragão simboliza não apenas a força, como também uma transformação, porque sua fantasia é conseguir tornar-se o que nunca foi. Sua veneração pela pintura é tanta que produz um diário Contemple o Dragão Vermelho o qual reúne uma coleção de fotos de defuntos, inclusive, fotos do Dr. Lecter por quem tem admiração. Na intenção de capturar o criminoso, Will (ex-agente do FBI) simula em uma matéria publicada em um jornal que Dr. Lecter discorre sobre a sexualidade de o Fada dos dentes. Foi publicado: “O fada dos dentes é feio e é impotente com o sexo oposto. Ele molesta sexualmente suas vitimas masculinas. Especulamos que ele seja produto de um lar incestuoso. Não admira que seja um tremendo fracassado”. Após ler o jornal Dolarhyde sequestra Lounds, repórter que o denegriu na matéria publicada, para que possa mostrar sua verdadeira identidade: Francis: Sabe quem eu sou Sr. Lounds? Lounds: Não, nem quero saber! Francis: De acordo com o Sr., eu sou um depravado, pervertido sexual, fracassado. Um páreo de última categoria (...) acho que agora já sabe?! Lounds: Eu sei!!! Francis: Eu não sou um homem, eu comecei como um, mas cada ser que eu modifico me torna mais que um homem, como vai testemunhar. Nesta cena, o assassino fica totalmente sem roupas em frente a um telão, de costas para o repórter, exibe sua tatuagem do dragão com movimentos corporais de contração dos músculos, transparecendo o quanto ele precisa mostrar-se assustador e forte. Essa necessidade de parecer superior fisicamente, corresponde ao seu pensamento megalomaníaco, sendo esse um dos fatores da paranoia. Durante a sessão de torturas ao repórter, Francis exibe os slides com as cenas dos crimes e diz: Quer saber o que eu sou? Lounds: É o que mais quero, tinha medo de perguntar. Francis: Está vendo? A sra. Jacobi na forma humana, a sra. Leeds na forma humana. A sra. Jacobi mudando, a sra. Leeds mudando, está vendo? A sra. Jacobi e Leeds renascidas (na foto elas tinham pedaço de vidro quebrado no lugar dos olhos). Por que escreveu mentiras sr. Lounds? Vai dizer a verdade sobre mim, meu trabalho, minha transformação? Eu sou o dragão e o senhor me chamou de louco, é testemunha de uma grande transformação e não reconhece nada. O senhor é uma formiga diante do renascer, mas está em sua natureza fazer uma coisa correta que diante de mim o senhor treme. Mas, não é medo que me deve sr. Lounds... é reverência!!! Nesse relato é possível observar uma construção delirante, pois a cada pessoa que ele mata, ele acredita torna-se mais forte. Deste modo, cometer os crimes o torna sujeito, aquele que causa medo, aquele que diverge das pontuações da sua avó (não urina mais na cama). O jornalista treme de medo; Francis faz uso do termo reverência e não medo, ele quer ser glorificado como um deus. Essa transformação assume um papel de missão, que na visão dele parece ser uma espécie de ressurreição. Mas, esse renascimento só pode acontecer se ele for o dragão vermelho e, é por esse motivo que não se satisfaz em apenas admirá-lo, é preciso marcá-lo em seu corpo. Tal matéria se resultou na morte do Sr. Lounds (repórter), isso nos dá abertura para pensar como tais palavras tiraram o assassino do eixo, especialmente, porque tem como fonte Dr. Lecter, pelo qual possui estima. Foi intencional o detetive optar em fazer essa matéria sobre a sexualidade do assassino. Mesmo que seja uma interpretação bastante caricatural, tem muita serventia para sustentar algumas suposições e hipóteses: Francis se sente impotente diante das mulheres, essa fragilidade de fato é com seu próprio estado de homem fracassado. A mulher o espanta, visto que, a imagem do feminino provém de uma avó muito masculina, no sentido simbólico de portadora do falo. Quando a matéria menciona a suposta homossexualidade de Francis (molesta sexualmente suas vitimas masculinas), pode-se perceber que tocaram em algo muito mais primitivo nele, pois se não teve um pai para se identificar, provável que se identificou com a avó, fato associado, por exemplo, no uso da dentadura. Tal comportamento não é somente para despistar os investigadores, mas também uma forma de identificação muito primária, sinalizadora da suposta homossexualidade oculta. Todas as crueldades do protagonista escondem a tentativa de se fazer sujeito. Seguindo nesse raciocínio, pode-se dizer que Francis só era alguém quando executava seus homicídios, só assim era um homem, como afirma em sua fala ao repórter. O psicótico não mede esforço para alcançar o que quer, por isso, a passagem ao ato. Essa ação é uma descarga experimentada como uma satisfação sexual. A única forma que existe como saída é a passagem ao ato, pois não faz uso da palavra como intermediação, pois a linguagem faz parte do registro simbólico e isso é o que lhe faltou. É possível pensar na presença de um componente perverso, em que o papel de dominador e de dominado da vítima lhe causa prazer. Sem esquecer que essa relação é fruto de sua própria história de dominado, que agora tenta inverter. Durante todo o filme, é possível observar que a questão da aparência traz muito sofrimento ao Francis, na visão dele é algo horrível. O protagonista recebeu o apelido de “Fada dos dentes” do qual achava ridículo. De fato, para alguém que gostaria de parecer homem e forte, o título fada não está de acordo, afinal é bem feminino e delicado. Óbvio que isso rebate na questão da aparência, resumindo, as fadas são femininas e bonitas, neste caso ele não se considerava como tal. No caso dele, o que importa como a representação de si é somente a cicatriz que tem na boca, o que é simbólico, porque implica no real do corpo, o corte simbólico pelo qual ele não atravessou. Reba tem algo essencial que leva a uma esperança de vínculo social: ela possui deficiência visual. Observamos que o protagonista tem uma grande questão com sua autoimagem, por isso quebra os espelhos na casa das vítimas. Quando a garota lhe conta sobre a curiosidade das amigas em relação a ele, Francis a questiona: “Falaram da minha aparência?” porque na concepção dele os outros são ameaçadores. Além da cicatriz na boca que o faz sentir-se deformado, existe também uma questão ainda mais primitiva, referente ao seu narcisismo. Mesmo o filme não abordando tal questão, pode-se dizer que ele foi pouco investido narcisicamente pela mãe, isso é clássico na psicose. Na trama, aparece uma avó devastadora no lugar dessa mãe, uma figura incapaz o bastante para não fazer a função materna de investir afeto em seu bebê. Francis se vê no olhar de reprovação dos outros, então, era bem prazeroso se relacionar com alguém que não pudesse vê-lo. Ou seja, como ele se vê através do Outro (avó), o fato de a moça ser deficiente visual, naquele instante, proporciona a possibilidade de não se ver como um animalzinho imundo. Reba o tratava muito bem, diverge de tudo que ele já passou. Por isso, em algumas ocasiões, ela parece desempenhar essa função materna ausente. Se prestarmos a atenção, não é somente uma relação sexual o mais significativo, mesmo que mantenham isso de fato, mas a parte afetiva aí é muito mais importante. Ela não o excita como homem, e sim causa nele certa piedade, não com a moça e tão pouco com os outros, mas em relação a si próprio. Mesmo tendo todas as chances, o fada dos dentes não matou Reba no primeiro encontro, nem a mulher no museu. Os detetives souberam da noticia e a explicação dada foi que ele não matou porque estava tentando parar. Reba aparenta ser esse breque que Francis não tinha. Perante a psicose não temos de recuar, porque sempre há uma expectativa, não da cura, e sim da possibilidade de recuperação de um laço social, ainda que mínimo e precário. Antes do surto em que ele coloca fogo na casa, lembramos que Francis dorme com a moça. Seu encontro com a relação sexual já é um motivo significante para que aconteça o surto, sendo que para esses sujeitos o sexual é um fator traumático e complexo, e, depois com sua impotência. Na cena em que ele acorda e percebe que a garota não está mais na cama, ele corre pela casa desesperado. Nesse momento, olha para o quadro da avó, que joga aquele olhar de advertência de modo a reprová-lo pelo ato sexual. Depois, olha para o quadro do dragão e fala com uma voz chorosa: “Não, ela você não vai ter!... Por favor, só um pouquinho. Não, não... está me machucando”. Totalmente perturbado - pega a arma e olha para a imagem do dragão e diz: “não ela, ela é boa, ela é legal”. Em seguida, coloca a arma na boca e ameaça atirar em si mesmo, porém surge a ideia de ir ao museu e comer a imagem do dragão. Durante essa alucinação paranoica vivida por Francis, se observa que o que permanece no seu delírio experimentado como sendo um outro que o incomoda, o persegue, tem mais a ver, na realidade com a relação do sujeito com o próprio eu. Por que Francis resolveu comer a pintura, sendo que o sujeito e o objeto estão ligados? Antes de tudo, já sabemos a importância dessa obra para ele. Por detrás desse ato há uma tentativa desenfreada de resgatar esse objeto perdido, de retomar a posição simbiótica materna. Dessa maneira, quando ele se sente fragilizado, necessita desse objeto, tal qual como quando ele usou a fala “renascida”, para relatar o que as mortes faziam com ele. Francis renascia, tornava-se novamente um bebê, se pudesse teria para si esse objeto que ele tanto aprecia. Esses elementos passaram por deslocamento e, é claro, ele não os identifica como tal. Na psicose um objeto pode perder seu valor real, por isso, essa pintura para ele tem um sentido diferente. Em outras palavras, a atitude de comer a pintura é uma forma de tornar o dragão vermelho vivo dentro dele, pois o fada dos dentes trata seu dragão como o grande pai, que está morto e precisa ser ressuscitado. Nas cenas finais do filme, Francis descobre que sua identidade foi descoberta pelo detetive Will, por isso, ele foge e, ao passar na casa de Reba, a vê conversando com Ralph. Francis mata o rapaz e depois a sequestra. Já em sua casa ele a desperta e diz: Você andou pela casa enquanto eu dormia, não foi? Reba: Que? Francis: Naquela noite você achou alguma coisa estranha e mostrou para alguém? Você fez isso? Reba: O que foi, o que está acontecendo? Francis: Fica quieta ou ele vai ouvir a gente, ele está lá em cima! Ele quer você Reba, eu achei que ele tivesse ido embora, mas ele voltou. Eu não queria dar você para ele, eu fiz uma coisa hoje para que ele não possa te pegar (...) Eu tava errado você me enfraqueceu e depois você me magoou! Francis aparenta surtado e seu tom de voz oscila entre agressivo e doce, como se fosse duas pessoas; uma com vontade de matar e outra que não quer matar. A conduta dele é de como se acatasse a uma ordem superior, fato muito comum na psicose, esse encontro com o Outro. Quando ele se direciona a este Outro sempre faz uso da expressão “está me machucando”, ou “ele vai te machucar”. Pode-se dizer que essas frases têm origem nas recordações da avó. Tal relação, é muito importante para compreendermos que, quem está por trás de sua fantasia, no lugar desse gigantesco dragão vermelho e da mulher vestida de sol, é a sua avó. Durante a conversa ele acusa Reba de tê-lo enfraquecido e magoado, se recordarmos o primeiro encontro, ao contrário de agora, ela escolheu Francis ao invés de Ralph, no que lhe trouxe bastante segurança. Para finalizar, é possível afirmar que não é nada fácil para o sujeito reconhecer seu eu e seus desejos destruidores e é justamente por esta questão que isso se manifesta sobre a forma de um “outro-Francis”, claramente visível na relação com a garota. Com ela, Francis não mostra a mesma habilidade que teve com as outras vitimas, até tenta evitar cometer novos crimes, isso porque, mesmo vulnerável, construiu um vinculo afetivo precário, como já mencionado antes, não um vinculo de um casal formado por um homem com uma mulher, mas de Francis com os seus sintomas. Psicóloga Renata Gonçalves – CRP 06/122453
- Reflexão: Por que Escolher a Psicologia como Profissão?
Esse artigo fala sobre minha vivência e reflexão: por que escolher a psicologia como profissão. Ao olhar esse site até parece que eu sabia qual profissão seguir, mas não foi tão simples. Na época eu estava perdida com tantas opções. Aos 17 anos as duvidas atrapalhavam por conta da pressão de ter uma escolha profissional. Atualmente, acredito que entrar em algum trabalho que ajude a lidar com responsabilidades (horários, dinheiro, publico etc.) seja interessante junto desse processo de escolha profissional. Na época, havia uma pressão do ambiente para escolher a carreira de Direito. Já começa aí, que isso não veio da minha cabeça. Me formei em escola pública e tive a necessidade de fazer cursinho pré vestibular. Em um belo dia uma colega derrubou a revista Guia do Estudante que ao cair avistei a página sobre psicologia e profissão, lembro de ter me despertado interesse. Lembrando que em 2007 a internet não tinha tanta potência, busquei saber sobre a profissão do psicólogo através de muita leitura. Ah! antes que eu esqueça, prestei vestibular para Direito duas vezes e não passei, fiquei na lista de espera e por ser um curso concorrido era difícil alguém desistir. Na época foi extremamente frustrante e desanimador. Na época tinha de entrar na faculdade aos 18 anos e por conta desses tropeços entrei 2 anos depois, porém foi ótimo, porque eu estava um pouco mais segura com a minha escolha. Tive maturidade de entender que o diferencial estava naquilo que fazia sentido para mim, e não tinha a ver com agradar alguém ou estar dentro da faculdade aos 18 anos só para cumprir a regra. Quando pensei em postar esse artigo me perguntaram se realmente eu iria colocar em meu site profissional, sobre algumas coisas não darem certo durante minha jornada de escolha profissional. Eu pensei qual seria o problema em mencionar que fiquei perdida diante de tantas opções, fiquei angustiada e me sentindo pressionada a ter uma profissão, fiquei chateada por não passar em Direito. Resumido, porém essa é a verdade. Na vida a gente erra, cansa, se frustra, faz escolhas sob pressão, fica de saco cheio, faz escolhas equivocadas, se arrepende e depois volta, retoma, repensa e por aí vai. Fora das mídias sociais a gente tropeça bastante nos obstáculos da vida, na internet é possível selecionar o que queremos que os outros leiam, ainda assim, não estamos isentos de errar. Na época havia uma grande questão: Psicologia não tem matemática, UHU!!! Era uma das minhas maiores dificuldades, ainda é. Pobre estudante, estatística no primeiro semestre abriu com chave de ouro a porta da angustia, porém, sobrevivi. E os números aparecem durante a jornada academica, principalmente, para quem gosta de testes psicológicos. E claro, matemática é importante, pois devemos aprender a lidar com o dinheiro. Hoje dou risada, mas na época era apavorante. As coisas podem perder a força e ter significados diferentes, basta revisitar um pouco as vivencias. Durante a faculdade de psicologia haviam matérias que eu não gostava, mas tinha que estudar. Provas, pessoas que não faziam o trabalho em grupo, apresentação, tudo na mesma semana. Aquela vibe acadêmica. Após a graduação e atuando na área, posso afirmar, escolher o que gosta não diz respeito a ser tudo “lindo e perfeito” e sem exaltações. Pelo contrário, escolher o que gosta também é se comprometer e se dedicar com obrigações necessárias e fazer coisas que não gosta. De modo geral, na vida é assim também. Na jornada acadêmica, conheci várias linhas teóricas, inclusive a psicanálise (não é uma abordagem da psicologia). Adorava aplicar os testes psicológicos e aprender sobre elaboração de laudos técnicos. Os estágios no final do curso eram corridos e exaustivos. Visitas interessantes em instituições como: CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), presídio, RH (Recursos Humanos) das empresas, hospital psiquiátrico, atendimento na clinica-escola etc. Atento sobre alguns bordões associados a profissão do psicólogo: Psicólogo é para louco; Pretendo fazer psicologia por hobby ou para me conhecer melhor; Psicologia por amor; Vou ser psicólogo para fazer o bem, etc. Por favor, revisem esses conceitos. Vai além desses bordões de que o psicólogo faz o bem. Desculpem se soa grosseiro, mas o psicólogo não paga os boletos com abraço ou apenas por amor a profissão. Claro que auxiliamos as pessoas, passamos a ter um papel importante na vida do paciente e para a sociedade, temos que gostar do que fazemos, porém não esqueçam que é um trabalho que merece ser valorizado e remunerado. Pretende seguir a área da psicologia e gosta de ler? Se sua resposta for sim, ótimo, o curso demanda muita leitura e, depois também. Pesquisem, atualmente é possível encontrar aulas gratuitas, diversos blogs com artigos interessantes de profissionais maravilhosos. É uma baita ajuda para nos direcionar se queremos ou não dar um passo para a graduação de psicologia. Estou atuando na area desde quando me formei e posso afirmar que foi a melhor escolha que fiz, todas as profissões tem suas dificuldades, a diferença pode estar no quanto você está disposto a investir com a sua persistência. Psicóloga Renata Gonçalves – CRP 06/122453 Assuntos relacionados: Saúde Mental: Cuidados ao Buscar Psicólogo Gratuito Psicólogo é para Louco? 8 Curiosidades Sobre o Profissional da Psicologia O que é psicoterapia? Para quem serve? Por que fazer?
- Saúde Mental: Cuidados ao Buscar Psicólogo Gratuito
Nesse artigo trago uma pequena reflexão, orientação e cuidados tanto dos profissionais quanto para os que buscam essa oferta de serviço de psicologia gratuita. Vejo muitas ofertas de psicólogo gratuito com anúncios atraentes, como por exemplo, "primeira sessão com psicólogo gratuito", "sessão experimental com psicólogo gratuito", "psicólogo gratuito clique aqui". Vamos lá, pensem comigo: A primeira vez que você vai ao restaurante, você pagará o que consumiu; A primeira consulta com o médico, você pagará pelo atendimento; A primeira vez no cabeleireiro, você pagará o serviço; A primeira sessão com o psicólogo, não seria diferente. Por qual motivo a maioria das pessoas buscam um psicólogo gratuito ou psicólogo com valor social? Os motivos para essa procura podem ser variados. Embora, quem busca o serviço de psicologia gratuito ou com valor social, provavelmente, pode estar em situação de vulnerabilidade financeira. Por exemplo: Antes de me formar, um de meus estágios foi com Mulheres em situação de violência, elas não tinham condições financeiras para fazer sua psicoterapia, a maioria alegava que o companheiro não lhe dava o direito de trabalhar ou ter uma renda. Casos extremamente delicados de violência física, psicológica e matrimonial. Talvez seja de seu interesse: Cartilha Gratuita - Como Identificar um Relacionamento Abusivo Outro ponto que podemos pensar são em alguns estereótipos comuns que marcam o profissional da psicologia: os psicólogos são bondosos, aqueles que ajudam as pessoas ou aqueles que fazem trabalhos por caridade, tais pensamentos podem contribuir com a procura por serviços gratuitos. Importante ter cuidado ao buscar psicólogo gratuito ou de baixo custo quando essas ofertas possuem somente a intenção de captar pacientes , isso pode gerar um problemão. A falta de investimento do psicólogo em estudos, supervisão de seus casos clínicos, sua própria análise/psicoterapia, recursos materiais etc., pode afetar o tratamento do paciente de maneira negativa. Ou seja, o psicólogo precisa investir para obter retorno financeiro e até para poder oferecer algum projeto social. Não é possível auxiliar alguém sem investir nas ferramentas necessárias que sustentam um trabalho de qualidade. O recém formado deve estar desanimado com esse texto, mas se for de seu interesse viver da clínica de psicologia, é possível iniciar em um trabalho que te mantenha financeiramente e separar alguns horários para atender seus pacientes. Ou se você tem apoio para esse inicio aproveite investir seu tempo em produzir conteúdos. Psicóloga (o) recém formado que está precisando de alguma mentoria sobre início da clínica entre em contato comigo Psicóloga Renata , será um enorme prazer fazer trocas profissionais. Existem instituições que oferecem atendimento gratuito como, por exemplo, as universidades com a Clínica Escola de Psicologia, Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidade Básica de Saúde (UBS) etc. Na clínica escola o estudante precisa começar a atender para colocar em práticas alguns conhecimentos. A pessoa que busca um psicólogo pode usufruir do atendimento desse estudante sem custo financeiro, pois o aluno tem suporte para os atendimentos com os professores-supervisores, possui local seguro para atendimento presencial, possui materiais de fácil acesso na biblioteca da faculdade etc. Talvez seja de seu interesse essa sugestão de atendimento gratuito: Mackenzie - Clínica Escola de Psicologia De modo geral, quando o psicólogo se forma e pretende começar sua jornada clínica ele terá que investir financeiramente em um supervisor para lhe auxiliar nos caos clínicos, terá custos com a clínica (aluguel, IPTU, água, luz, internet, etc.) e custos com cursos ou materiais de estudos, entre outras coisas. No inicio é difícil oferecer serviços gratuitos ou com custo acessível. A oferta de serviços gratuitos de psicologia podem ocorrer quando o psicólogo conseguir estabilidade em sua clínica. Não oferto sessão gratuita porque na primeira sessão estarei trabalhando. O que consigo oferecer diante desse cenário é abrir espaço para negociações no caso a caso. Isso só foi possível quando a clínica estava caminhando e há certa quantidade de pacientes pagantes do investimento total das sessões. Dessa forma, os pacientes que pagam o valor total e os que não possuem condições por alguma questão terão a mesma qualidade de serviço. Estamos falando de saúde mental: cuidados ao buscar psicólogo gratuito e isso é muito sério, não vejo problema em oferecer o atendimento psicológico gratuito, desde que o psicólogo esteja ciente da seriedade dessas ofertas. Porque o preço de sessão entre os psicólogos variam? Normalmente o psicólogo se baseia na tabela de honorários fornecida pelo CRP (Conselho Regional de Psicologia), cada profissional sabe fazer o calculo de lucros, custos fixos e variáveis de sua clínica e, obter um preço de sessão. Procuro não justificar o custo do serviço de psicologia que ofereço por saber o valor do meu trabalho. Aliás, o McDonald’s não justifica o preço do lanche, o Boticário não justifica o preço do perfume, o médico não justifica o preço da consulta. Então, por que seria diferente com o psicólogo? Conheça o Projeto Social Psyque: Mulheres e Enfrentamento às Violências Psicóloga Renata Gonçalves – CRP 06/122453
- Psicologia é Somente com Psicólogas: Como Identificar Oportunistas que Usam a Psicologia para se dar Bem
Este artigo é dedicado aos colegas de trabalho que oferecem serviços de psicologia de forma ética. Aos meus pacientes que confiam em meu trabalho e para quem gostaria de buscar um psicólogo, porém não sabe por onde começar. Obter informações nunca é demais quando pensamos nos avanços tecnológicos. Procure fontes seguras na internet, saiba pesquisar para não vir a ser uma vítima de oportunistas. O que é uma pessoa oportunista? De modo geral, aquela pessoa que se aproveita das ocasiões e dos bons momentos para a realização de algo. Aquela pessoa que busca proveito pessoal, aproveitando-se dos outros, sacrificando princípios e normas. Como identificar oportunistas que usam a Psicologia para se dar bem? Observem que há muitos anúncios, ofertas e divulgações por aí na internet sobre psicologia. Ofertas de "atendimentos psicológicos", ofertas de terapias milagrosas, ofertas de terapias com resultado em 1 mês, ofertas de cursos com garantias suspeitas e tudo sendo colocado na conta da Psicologia. Assunto que talvez você se interesse: O que é psicoterapia? Para quem serve? Por que fazer? Os anúncios que aparecem em minhas redes sociais são ofertas de terapias por pessoas que se passam por psicólogos, ou seja, NÃO são psicólogos. Um grande atentado a saúde emocional e ao trabalho do Psicólogo. Por exemplo, esses dias apareceu em meu Instagram um anuncio com algo do tipo: “Você gosta de ouvir as pessoas?” “Já ouviu falar que você leva jeito para ser psicóloga (o)?” Então, faça esse curso terapia sei lá o que das contas em 4 dias e atue como psicólogo. Ganhe um certificado de participação. Ofertas de cursos/palestras de 4 dias com um terapeuta sem a formação em psicologia, aliciando pessoas a comprarem curso com certificado para atuar como psicólogo. O cúmulo do absurdo! Revoltante! Pessoas oportunistas se promovendo sem pudor e ética às custas de uma profissão séria. Infelizmente está sendo corriqueiro esse tipo de proposta. Eu chamo de malandragem. Arrisco mencionar que muitos não tem menos do mínimo dos fundamentos teóricos-técnicos-práticos-científicos de você aí psicólogo que está lendo este artigo e lutou para estudar 5 anos, pagar a universidade, se formar e tentar sobreviver da psicologia de maneira digna. Aliás, estamos em constante aprimoramento profissional técnico e prático. Um alerta para quem está em sofrimento emocional. Pensei, como assim, cadê o CRP? Cadê meus colegas Psicólogos (as), acho que estamos em falta nas orientações sobre esses cuidados que são princípios éticos do Psicólogo. Terapeutas reconhecidos pelo MEC e NÃO tem graduação em Psicologia, NÃO é Psicólogo. Coachs (treinadores) que NÃO tem graduação em Psicologia, NÃO é Psicólogo. Logo NÃO podem atuar como psicólogos, nem se passar como um Psicólogo para se autopromover. Eu chamo de exercício ilegal da profissão. Realmente, há uma banalização da profissão Psicólogo na internet, estão usando o sofrimento emocional alheio na tentativa de se promover, usam promessas ilusórias e contribuem com o desserviço a sociedade. Eu chamo de picaretagem. Lembre-se que a crítica é sobre o uso indevido da profissão Psicólogo por quem não possui a graduação em Psicologia. Se o “terapeuta de cristais” ou “coaching de emoções” tiver a graduação em Psicologia, creio que estejam cientes de como utilizar estas práticas alheias ao campo da Psicologia, servindo-se do código de ética do Psicólogo. Assunto que talvez você se interesse: Psicólogo é para Louco? 8 Curiosidades Sobre o Profissional da Psicologia NÃO há problemas em buscar terapias alternativas, NÃO há problemas em estudar Psicologia sem ser Psicólogo, NÃO há problemas em se basear em textos de Psicologia em sua terapia alternativa. Há problemas quando vendem o serviço de Psicólogo sem ser um Psicólogo. Importante ser honesto com quem vem buscar alguma ajuda independente de você ser psicólogo ou não. Seria o mesmo se eu como Psicóloga resolvesse receitar medicamentos aos meus pacientes sem formação em medicina, pois o único que pode medicar é o médico. Parece óbvio, porém muitas pessoas que me buscam pedem para eu prescrever algum medicamento. Se eu pensasse em benefícios próprios, poderia abusar da humildade dessas pessoas, porém, eu seria oportunista, visando somente meu lucro, sem ética alguma e criminosa ao prescrever alguma receita medicamentosa. Não há nada de errado em promover sua terapia alternativa e usar a Psicologia como guia, o errado é se vender como Psicólogo sem possuir graduação em Psicologia. Como saber se o profissional realmente é psicólogo? Para estar habilitado a exercer a profissão de psicóloga(o), o profissional deve ser formado em Psicologia e estar com inscrição ativa no Conselho Regional de Psicologia do Estado em que atua. É possível checar se a(o) psicóloga(o) está com registro ativo no Cadastro Nacional de Psicólogas(os). Você pode checar a partir do nome, CPF ou número de registro no Conselho. O que eu devo fazer: Acesse o Cadastro Nacional de Psicólogas(os) e verifique se a(o) profissional em questão possui registro ativo para atuar como psicóloga (o). Observação importante: Caso a(o) profissional em questão esteja atuando como psicóloga(o), mas não tenha registro ativo no Conselho, é caso de exercício ilegal da profissão, o que é uma contravenção penal, e deve ser reportado aos órgãos competentes, ou pode ser denunciado no próprio Conselho Regional (CRP). Como saber se o psicólogo está habilitado para atender on-line? O e-Psi lista as(os) profissionais que estão autorizadas(os) pelo Sistema Conselhos de Psicologia a prestarem serviços psicológicos on-line. Se a(o) profissional não estiver listada(o), ela(e) não está autorizada(o) a prestar esse serviço. O que eu devo fazer: Acesse o e-Psi Psicólogas Cadastradas e verifique se a(o) profissional em questão possui cadastro ativo para atender on-line(o). Para finalizar, a utilização de técnicas privativas, por exemplo: testes psicológicos , por profissionais que NÃO têm formação em Psicologia caracteriza exercício ilegal da profissão, passível de denúncia em Delegacia de Polícia. Profissional da Psicologia é com Psicólogas (os) - Psyque Consultório - Em defesa das psicólogas (os) e usuários (as) dos serviços de Psicologia e Saúde Mental. Nota: O texto NÃO é sobre comparações entre profissionais, em qualquer profissão é possível encontrar pessoas oportunistas. O titulo é bastante sensacionalista (perdoem-me) para atrair leitores, não foi por acaso porque se estivesse no titulo "ética ou legislação sobre o profissional psicólogo", não seria interessante. Sinceramente, é maçante ler códigos e leis com termos difíceis. Um título "estranho" - soberano (Psicologia é somente com Psicólogas), porém, o conteúdo entrega orientações para quem busca um profissional Psicólogo, orientações para cautelas em buscas de atendimentos ou cursos em anúncios sobre psicoterapia, como também a importância da honestidade e clareza com as pessoas que estão a procura de um Psicólogo. Tenham cautela em suas buscas, procure profissional por indicação de alguém de confiança ou faça suas pesquisas de maneira cautelosa e experimente. Desejo a todos vocês uma boa escolha! Psicóloga Renata Gonçalves – CRP 06/122453 Para mais informações: Código de Ética Profissional da/o Psicóloga/o -> Resolução CFP Sobre Atendimento Online
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